A data prevista do parto saiu. O parto vai ser no hospital da sua cidade natal, e no primeiro mês depois do nascimento você vai descansar na casa dos seus pais. É o famoso satogaeri shussan, quando a futura mãe volta para a casa da família para dar à luz. 🤰
Só que tem uma coisa incomodando. Sua mãe (ou seu pai) fuma dentro de casa. Em algumas famílias é o cigarro aquecido embaixo do exaustor da cozinha. Em outras é o cigarro tradicional, na porta dos fundos da cozinha.
"É embaixo do exaustor e é cigarro aquecido, então não tem problema", dizem seus pais. Mas seu parceiro ou sua parceira diz: "Fico preocupado de deixar o bebê um mês inteiro ali." E você fica no meio dos dois. 😣
Este texto é para casais nessa situação. A ideia é proteger o ar que o bebê respira sem culpar os pais. Reunimos aqui um jeito de conduzir essa conversa.
Para muitas famílias, o satogaeri é a escolha mais natural do mundo. Sua mãe fez assim, suas amigas fazem assim. Você se recupera num lugar onde a comida aparece pronta e alguém pode assumir a mamada da madrugada. Isso é uma ajuda enorme.
Por isso mesmo, se a conversa começa com "a casa da sua mãe é perigosa", a chance de dar briga é quase total. Quem ouve sente que a família inteira está sendo rejeitada, e o plano que deveria trazer tranquilidade começa a balançar.
O contrário também vale. Se você entende a preocupação do seu parceiro como "estão falando mal dos meus pais", a conversa vira rapidinho um "afinal, de que lado você está?". O foco não são os pais, é o bebê. O objetivo do casal é o mesmo. A diferença está só no risco que cada um enxerga.

A primeira coisa a ter em mente: essa preocupação não é exagero. A OMS e outros órgãos de saúde afirmam que não existe nível seguro de fumo passivo, e bebês, com os pulmões ainda em desenvolvimento, são considerados especialmente vulneráveis. Exaustor e janela aberta reduzem a fumaça, mas não deixam o ar limpo.
Muita gente acha que usar cigarro aquecido já é uma forma de cuidado, porque "solta menos fumaça". De fato, a fumaça visível é menor. Mas a OMS considera que o cigarro aquecido também não é inofensivo, e as pesquisas sobre o efeito nas pessoas ao redor, principalmente nos bebês, ainda são insuficientes. "Menos fumaça" e "seguro para recém-nascido" são coisas diferentes.
Dito isso, espalhar dados na mesa do jantar para vencer a discussão com seus pais não costuma ajudar muito. 😅 O que importa não é ganhar, e sim chegar a condições com as quais a família toda concorde. Mais do que ter razão, vale ter regras que dá para cumprir.
A conversa trava quando vira uma escolha entre duas coisas. Se, em vez de "ir" ou "não ir", vocês montarem um cardápio de opções, fica bem mais fácil conversar. Por exemplo:
Repare que em nenhuma dessas opções está escrito "o problema são os seus pais". Todas giram em torno de "como receber a ajuda de verdade e, ao mesmo tempo, proteger o bebê". Esse é o ponto. 😊
E tem uma coisa que muitas vezes funciona melhor do que qualquer palavra da família: uma orientação do obstetra ou do pediatra. Quando é o médico quem diz "em casas com bebê, por favor, evitem fumar dentro de casa", seus pais costumam receber a mesma mensagem de um jeito bem diferente. Vale tocar no assunto numa das consultas.

Quanto mais delicado o pedido, melhor que ele venha do filho ou da filha, e não do genro ou da nora. Vindo da filha (ou do filho), é só "um recado da família". Vindo de quem é parente por casamento, é fácil soar como "uma pessoa de fora criticando a nossa casa".
Então a ordem é: primeiro, só vocês dois definem até onde cada um consegue ceder. Depois, quem é filho daquela casa conversa com os pais com as próprias palavras, do jeito que se fala naquela família. Antes de falar com os pais, o casal precisa estar alinhado. Se isso não estiver resolvido, por melhor que seja a conversa, ela desmorona no meio.
Você pode falar mais ou menos assim:
"Mãe, ajuda demais poder ficar aí depois do parto. Obrigada mesmo. Tenho só um pedido: enquanto o bebê estiver aí, será que dá para não fumar dentro de casa? O médico também falou isso. Se puder fumar lá fora, eu vou ficar muito feliz."
"Não estou te culpando, tá? Eu sei que você toma cuidado e fuma embaixo do exaustor. É que, para recém-nascido, parece que só a ventilação não é suficiente. Se você puder colaborar só por um mês, vou conseguir ficar aí tranquila."
O segredo é agradecer primeiro, deixar claro que é por um período limitado e sugerir um lugar alternativo (do lado de fora). Em vez de "pare de fumar", fazer um pedido com limite, "enquanto o bebê estiver aqui, dentro de casa", aumenta a chance de ser aceito.
Se a reação for muito negativa, isso também é uma informação importante. Ajuda a perceber se as regras vão mesmo ser respeitadas e pode servir de base para decidir: "então vamos fazer um satogaeri mais curto".
Tem outro sentimento de que quase ninguém fala: a tristeza de quem não vai junto, o pai ou a mãe que só consegue ver o filho recém-nascido por chamada de vídeo. 🥲
Vale conversar sobre isso com o mesmo cuidado que o assunto do cigarro. Dá para tirar licença parental, ficar num hotel ou num apartamento mensal perto da casa dos sogros e ir lá todo dia? Dá para ir todo fim de semana? Dá pelo menos para estar junto nos dias antes e depois do parto e na hora de voltar para casa?
O costume do satogaeri se firmou, em parte, com base na ideia de que o parceiro continua trabalhando normalmente. Querer estar junto no primeiro mês não é capricho. Faz parte da mesma conversa sobre como vocês querem começar essa nova fase da família.

Acho que esse problema pesa tanto porque parece que só vocês estão enfrentando isso. Seus pais acham que o satogaeri é o normal. Quando você conta para os amigos, a conversa termina em "é coisa dos pais, difícil falar, né?". Na internet aparecem dados de pesquisa, mas quase nunca histórias de famílias reais.
Só que, na prática, deve ter muita gente que já quebrou a cabeça e tomou uma decisão sobre o satogaeri em situações assim: pais que fumam, sogros que pensam diferente, cidade natal longe. O que a pessoa pediu, como foi, o que faria diferente da próxima vez. Esse tipo de relato de verdade dá mais força do que ler vários artigos.

Para esses momentos, experimente o SewaYou. É um app de fazer amizades baseado em mapa, que conecta você tanto com pessoas por perto quanto com gente do mundo todo. Dá para tomar um chá com quem também está criando filhos na sua cidade, se conectar antes com quem mora na cidade onde você vai fazer o satogaeri, ou conversar online com pessoas de outros países que já tomaram decisões de família entre culturas diferentes. 🌏
A fase de virar mãe ou pai costuma ser mais solitária do que a gente imagina. Uma única conversa sincera já faz diferença. Não porque a outra pessoa conhece a sua família, mas porque ela sabe como é ficar no meio.
Vocês não podem decidir como os seus pais vivem na casa deles. Mas podem decidir, juntos, onde o bebê vai passar as primeiras semanas e quais vão ser as regras por lá.
Coloquem o bebê no centro. Levem opções, não ultimatos. Usem a palavra do médico a favor de vocês. Deixem que o filho ou a filha faça o pedido. E incluam, desde o começo, um lugar no plano para quem não vai fazer o satogaeri.
Se bater vontade de ouvir como outras famílias lidaram com isso, comece sem compromisso pelo SewaYou. Quem já passou por isso pode estar no seu bairro ou do outro lado do mundo. 😊