"Ué, você vai lá? Que modinha, hein!"
Esse comentário pega, né? 😅 Um santuário famoso, uma rede de lámen popular com fila na porta, um mirante, uma loja de personagens. Você gosta de verdade, mas sente que vão rir de você assim que falar. Aí acaba se protegendo com um "ah, só fui pra acompanhar o pessoal".
Nos grupos de hobby acontece a mesma coisa. Quanto mais a pessoa entende do assunto, mais ela tende a dizer "isso é coisa de iniciante" ou "quem entende vai naquele outro". Quando você percebe, já parou de falar do que gosta na frente dos outros.
Na verdade, isso é bem comum até entre estrangeiros que moram no Japão há muito tempo. Num fórum estrangeiro, alguém postou: "A comunidade de estrangeiros no Japão costuma descartar tudo como 'coisa de turista' ou 'superestimado'. Mas, sinceramente, o lámen do Ichiran não é gostoso e pronto?". Pelo jeito, independentemente da nacionalidade, esse clima de que "ser blasé é coisa de quem entende" existe em todo lugar.
Quando as pessoas se juntam, por algum motivo começa um ranking silencioso. Quanto mais tempo alguém está naquele meio, mais forte fica a sensação de que não pode curtir o básico. Quem se empolga sinceramente com os lugares famosos vira "novato". Quem consegue torcer o nariz vira "alguém que sabe das coisas".
Dá para entender. No começo, tudo é novidade e você só visita os clássicos. Com o tempo, vai conhecendo lojinhas locais e lugares que não aparecem nos guias. Essas descobertas foram conquistadas com os seus próprios pés, então, em comparação, os clássicos começam a parecer meio sem graça.
Só que, em algum momento, você deixa de pensar "eu me diverti?" e passa a pensar "o que vão achar se eu disser que gostei disso?". São duas perguntas completamente diferentes. E quando a segunda começa a pesar, geralmente a diversão vai embora.

Se uma coisa é popular, existe um bom motivo para isso.
O lámen de rede entrega sempre o mesmo sabor numa noite em que você está cansado e com fome. O santuário lotado está lotado porque é bonito. A vista noturna do mirante continua impressionante, não importa quantas vezes você veja. Alguém dizer que é "modinha" não faz esse valor desaparecer.
Gostar da lojinha tocada por um casal de idosos e também da tigela de lámen na rede às 11 da noite. Gostar das duas coisas não é contraditório. Você só gosta de lámen, simples assim. 🍜
Teve uma época em que eu também estava convencido de que "curtir o básico é cafona". Mas, uma noite, sentado sozinho no balcão de uma rede de lámen, percebi que estava achando tudo muito gostoso. Não era que eu não estivesse me divertindo. Eu só estava fingindo que não.

Ficar todo mundo dizendo "aquele lugar é meio fraco" ou "aquilo é superestimado" dá, na hora, uma sensação de grupo. Quando todo mundo critica a mesma coisa e concorda junto, parece que existe uma conexão, mesmo que por um instante.
Mas tente lembrar o que esse grupo realmente faz junto. Na maioria das vezes, só reclama. A lista de "coisas que não pode curtir" vai crescendo, e os lugares aonde vocês realmente vão vão diminuindo. Todo fim de semana é o mesmo bar, as mesmas queixas.
Pela minha experiência, ser blasé muitas vezes é sinal de que seu mundo encolheu. Não é que não exista mais nada para curtir. É que você parou de se permitir curtir o que está na sua frente e, com isso, deixou de conhecer pessoas que poderiam te mostrar lugares novos.
E tem mais uma perda. Muita gente tem orgulho dos pontos famosos da sua cidade ou dos seus lugares favoritos. Se você reage com um sorrisinho torto por reflexo, acaba fechando a porta para uma conversa que poderia ter sido ótima. Quando um amigo que veio de fora diz "quero ir a Asakusa!", você pode responder "sério? não é óbvio demais?" ou "boa! se for cedinho, fica vazio e é incrível". Só isso já muda bastante o clima da relação.

Você não precisa mudar sua personalidade de uma hora para outra. Comece com testes pequenos.
Primeiro, faça uma lista das coisas que você considera que "já superou". Escolha algumas delas e faça de novo, de propósito. Depois, observe com sinceridade como você se sentiu de verdade.
Algumas dicas para aproveitar mais:
O mais importante é com quem você vai. Empolgação é contagiante, e o clima blasé também. Só de escolher pessoas que se empolgam, o mesmo lugar fica muito mais divertido. ✨
Não precisa ficar na defensiva pensando "será que vão me achar modinha?". O truque é ser o primeiro a dizer que gosta.
"Sei que é bem clichê, mas eu gosto bastante da vista noturna do mirante. Bora lá na sexta depois do trabalho?"
"Dizem que o santuário tal fica vazio e fica lindo se a gente for lá pelas 7 da manhã. Se você conseguir acordar cedo, topa ir comigo?"
"Sinceramente, eu sou do time que acha aquele lámen gostoso e pronto (risos). Se você tiver curiosidade, vamos qualquer dia"
Acrescentar algo leve como "sei que é clichê" ou "sou do time que..." facilita para a outra pessoa dizer "na verdade, eu também gosto". E, se ela recusar, não esquenta: isso não significa que o convite em si foi rejeitado.
O ponto é não embarcar no tom negativo e mudar a direção sem criticar ninguém.
"Verdade, fica bem cheio. Mas eu até que gosto do fim de tarde lá. E você, foi a algum lugar legal ultimamente?"
"Entendo, tem cara de lugar turístico mesmo. E se fosse levar alguém daqui, aonde você levaria?"
"Nunca fui lá, então fiquei meio curioso. Se eu for e achar fraco, te conto 😂"
Em vez de somar uma crítica a outra, leve a conversa para "eu gosto disso" e "e você, do que gosta?". Só isso já deixa a conversa bem mais leve, e ainda vira uma chance de descobrir as recomendações da outra pessoa.

Se no seu círculo atual as conversas costumam render mais quando o assunto é "o que é fraco", talvez valha a pena ampliar um pouco a roda. Você não precisa se afastar dos amigos que já tem. É só acrescentar uma ou duas pessoas que te dão vontade de sair de casa.
Para isso, o SewaYou pode ajudar. É um app de fazer amigos baseado em mapa, que conecta você tanto com pessoas por perto quanto com gente de qualquer lugar do mundo. Você pode encontrar alguém na sua região para mostrar seus lugares favoritos, explorar outra cidade ou outro país sem sair de casa e fazer amigos online mesmo sem ter planos de viagem. E também dá para se conectar antes de uma viagem e se encontrar pessoalmente quando estiverem perto.
Gente que quer apresentar os restaurantes famosos da sua cidade para amigos estrangeiros, gente que procura companhia para visitar os pontos clássicos, gente de outros países que adora ouvir sobre os lugares "clichês" do Japão. Entrar em contato com a empolgação dessas pessoas provavelmente vai te fazer lembrar do que você realmente gostava.
Você não tem nenhuma obrigação de mostrar para ninguém um "eu blasé que sabe das coisas". Do que você gosta, você pode dizer que gosta. 🙌
Baixe o SewaYou e encontre, perto de você ou em qualquer lugar do mundo, amigos que curtem as mesmas coisas sem frescura.