No guichê da estação, no trabalho ou numa reunião de amigos, você encontra alguém que não tem "cara de japonês". Na hora, um botão de inglês liga na sua cabeça. O "Can I help you?" já está quase saindo da boca. 😳
Só que, muitas vezes, essa pessoa está falando com você em japonês, numa boa.
Esses dias, li num fórum estrangeiro uma história ao contrário. Um falante nativo de inglês com aparência japonesa estava conversando educadamente em japonês com um estrangeiro e, no meio da conversa, disse: "Pode ser em inglês também, se preferir". A resposta foi: "Em japonês está ótimo".
Depois, ele ouviu essa pessoa conversando com o acompanhante num inglês que parecia nativo e tentou de novo falar em inglês. Mesmo assim, a resposta veio em japonês. O autor do post ficou preocupado de verdade: "Será que o meu inglês ficou estranho?".

Essa história é engraçada, mas ensina algo bem importante: aparência e idioma são coisas diferentes.
No Japão, tem gente nascida no exterior que fala japonês fluentemente, e tem gente criada no Japão com um dos pais estrangeiro. Por outro lado, tem quem tenha a "típica cara de japonês", mas cresceu fora e se sente mais à vontade em inglês.
Mudar para o inglês por causa da aparência quase sempre vem de uma boa intenção. Eu mesmo já fiz isso. Mas, do ponto de vista da outra pessoa, pode soar como: "Ué, estou falando em japonês, por que isso?". Tem gente que ouve alguém puxar conversa em inglês quase todo dia e acaba ficando meio cansada disso.
Voltando à história do começo: a pessoa que sabia inglês, mas continuou respondendo em japonês, provavelmente não estava sendo antipática. Acho que ela estava protegendo a chance de praticar japonês.
Pelo que dizem, mesmo morando no Japão, as oportunidades de conversar com calma em japonês são mais raras do que parece. Nas lojas, o atendente muda para o inglês. No trabalho, as conversas acabam rápido. Por isso, quem topa conversar em japonês com paciência é alguém muito valioso.
Isso não é algo que a gente, que estuda inglês, também entende bem? Aquela pequena decepção quando você se esforça para falar em inglês e a pessoa responde em japonês. Escrevi sobre esse incômodo neste artigo, e a outra pessoa pode estar sentindo exatamente a mesma coisa.

Então, o que fazer? A resposta é simples: deixe a pessoa escolher o idioma.
Comece falando em japonês. Se der certo, siga em japonês mesmo. Se a pessoa parecer com dificuldade, ofereça as opções.
O segredo é não decidir por ela. Se a pessoa escolher japonês, continue em japonês, mesmo que o inglês dela pareça mais fluente.
Ah, e assuntos urgentes são outra história. Se alguém pergunta sobre uma baldeação na estação, ou se é algo que precisa ser confirmado no trabalho, use o idioma que funcionar mais rápido. Recado é recado, prática é prática. Só separar as duas coisas já deixa tudo bem mais leve. 😌

Se você quer praticar inglês e a outra pessoa quer praticar japonês, é melhor falar abertamente do que ficar num cabo de guerra silencioso.
Falando assim, aquela disputa silenciosa sobre qual idioma usar vira um combinado de verdade. Se a pessoa disser "Não, prefiro só japonês", tudo bem também. Não leve a recusa para o lado pessoal.
Agora, usar alguém que está só de passagem, um funcionário da estação ou um atendente de loja como parceiro de prática não é muito justo. Afinal, essas pessoas não combinaram de praticar nada com você. Encontrar quem também quer praticar é o que deixa todo mundo mais à vontade.
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Não escolher o idioma pela aparência pode parecer um detalhe, mas, para a outra pessoa, pode ser aquele momento em que ela sente: "Essa pessoa me enxergou de verdade". Esse pequeno gesto de respeito é a porta de entrada para um intercâmbio cultural natural.
Da próxima vez que conhecer alguém, comece em japonês e depois pergunte: "Qual idioma fica mais fácil para você?". Só isso já deve deixar o clima da conversa bem mais leve. 🌏
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