Seu celular pode estar cheio de conversas carinhosas e, ainda assim, você não ter para quem ligar num domingo livre. Se isso parece familiar, talvez o que mais falte à sua vida social não seja conhecer mais uma pessoa.
Quando alguém pergunta se ficou mais fácil fazer amigos no Japão, acho mais útil perguntar: qual parte ficou mais fácil? Encontrar alguém interessado em conhecer você é diferente de passar a fazer parte da semana comum um do outro.
Entender essa diferença oferece algo mais útil do que decidir se o Japão era mais acolhedor antigamente. Ajuda a enxergar o próximo passo.

Imagine chegar com pouco japonês e sem conhecer ninguém. Antes mesmo de entrar numa sala, você pode encontrar um parceiro de intercâmbio, explorar eventos ou mandar mensagem para alguém com o mesmo hobby. São pontos de partida úteis.
Mas comparar sua experiência com a vida de alguém em 2006 é complicado. Trabalho, universidade, bairro, idioma e contatos anteriores influenciam tudo. Uma pessoa com um clube esportivo acolhedor naquela época poderia ter uma vida social mais rica que um profissional remoto isolado hoje.
Vale lembrar que acesso é diferente de pertencimento. Um encontro permite começar uma conversa. Pertencer significa ser lembrado, receber convites e poder aparecer mesmo sem uma história especialmente interessante para contar.
Um primeiro encontro agradável já pode ter valor. Só não cria automaticamente o próximo.
Imagine participar de um bom encontro de idiomas. Você ri com alguém, troca contatos e combina de se ver de novo. Mas a conversa vai sumindo porque nenhum dos dois sabe o que propor.
Foi uma barreira cultural? Talvez. Antes de buscar uma teoria sobre amizade japonesa, porém, confira a parte prática. Alguém sugeriu um horário, um lugar ou algo que os dois gostariam de fazer?
Minha sugestão é facilitar o segundo encontro. Comece com algo pequeno o suficiente para caber numa semana comum e específico o bastante para ser fácil de responder.

Você poderia escrever:
Gostei de conversar sobre fotografia. Quer fazer uma caminhada curta para tirar fotos perto da estação no próximo sábado à tarde? Se você quiser, podemos tomar um café depois.
É só um exemplo, não uma frase mágica. O que importa é o interesse compartilhado, um plano concreto e a ausência de pressão para transformar a primeira conversa numa relação íntima imediatamente.
Se a pessoa recusar sem sugerir outro horário, você pode deixar a porta aberta e seguir em frente. Não precisa analisar todas as intenções dela nem forçar uma amizade.
Um grande evento internacional pode ser ótimo para conhecer alguém. Uma atividade pequena e regular oferece motivos para reencontrar essa pessoa sem organizar a vida social inteira do zero.
Pense numa aula de desenho para iniciantes, num grupo de caminhada do bairro, em jogos de tabuleiro ou num intercâmbio de idiomas regular. A melhor escolha é algo de que você goste e a que consiga comparecer. Um grupo tranquilo perto de casa pode ser mais útil que um encontro incrível do outro lado da cidade.
Procure um motivo para voltar. Se a atividade em si for agradável mesmo numa noite pouco movimentada, você consegue dar tempo ao grupo sem transformar cada visita num teste para conseguir amigos.
Também surgem mais assuntos. Em vez de repetir de onde veio e por que se mudou para o Japão, você pode perguntar como terminou o último jogo ou se alguém concluiu um desenho.
É outro tipo de conversa. Vocês já têm uma pequena história compartilhada.
Você não precisa passar num teste imaginário de fluência antes de fazer amigos. Comece com o idioma que consegue usar hoje, especialmente se a outra pessoa também deseja fazer intercâmbio.
Ainda assim, o esforço mútuo importa mais que a perfeição. Se uma pessoa sempre precisa traduzir, diminuir o ritmo e encontrar novos assuntos, pense em como dividir esse trabalho.
Aprenda palavras ligadas à atividade de vocês. Faça perguntas que deem continuidade ao assunto. Lembre de algo que seu amigo contou e retome depois. Num intercâmbio, combinem uma maneira de os dois praticarem, em vez de deixar a conversa seguir automaticamente para o idioma preferido de quem tem mais facilidade.

Uma atividade também oferece algo para fazer quando a conversa pausa. Mover uma peça ou olhar uma foto diminui a pressão de ficar frente a frente falando sem parar.
Continue aprendendo japonês, porque isso amplia as conversas e os grupos de que você pode participar. Você pode estudar e fazer amigos ao mesmo tempo, sem adiar a vida social até sentir que está pronto.
Se você encontrou pessoas acolhedoras, não precisa duvidar dessas amizades porque o debate público parece negativo. E, se sofreu exclusão ou preconceito, a facilidade social de outra pessoa não apaga sua experiência.
Sua experiência não é universal. Um estudante cercado de pessoas buscando amigos e alguém com filhos e pouco tempo livre podem precisar de conselhos completamente diferentes, mesmo morando perto.
O mesmo vale para região e idioma. Um evento em inglês no centro de Tóquio informa algo sobre aquele espaço. Não explica a experiência de todo estrangeiro no Japão.
Você pode descrever sua situação com precisão. Talvez seja fácil conhecer pessoas, mas difícil combinar horários. Talvez você tenha amigos e queira conversas mais profundas. Ou ainda não encontrou um grupo receptivo.
Cada problema pede um próximo passo diferente. Nenhum exige decidir se o Japão inteiro gosta de você.
SewaYou é um aplicativo com mapa para encontrar amigos e parceiros de intercâmbio de idiomas por perto. Procure alguém com interesses em comum e pense numa atividade simples da região que os dois gostariam de fazer.
Busque uma conexão que possa continuar. Você não precisa preencher todas as noites nem colecionar contatos. Uma conversa que leva a um café, e depois a outro, já é um bom começo.
Nesta semana, faça um plano possível. Comece pelo interesse concreto, proponha um encontro curto num lugar público se os dois estiverem à vontade e deixe espaço para repetir. O interesse de ambos deve determinar o ritmo.
Pronto para conhecer alguém por perto? Baixe o SewaYou e comece com um oi que você gostaria de continuar.